Nosso amor é jogo rápido. Sem bola parada ou tempo pra retomar o fôlego. No fundo, não passamos de dois inconsequentes correndo em velocidade para esbarrar com força um corpo contra o outro. E driblando as dores e a exaustão que todo amor implica, pretendemos marcar um gol de letra, corpos e língua. Antes que o juiz apite o fim da partida.
29/10/09
27/10/09
LICENÇA PARA VIVER (republicada a pedidos)
Não é o caso de fazer apologia ao ócio e à inércia burra. Tampouco discernir em quais momentos fazer nada é o melhor a se fazer.
Não é o caso de deixar de se importar. É pelo contrário, se importar e utilizar o tempo que for preciso para isso.
Não é o caso de não fazer investimentos. É fazê-los calculando os riscos: considerando, preferencialmente, os mais prováveis e reais. Vale otimismo (comedido). Vale optar por si.
Não é o caso de assistir a vida passar e esquecer de acontecer com ela. Mesmo debruçado na janela vendo o trem que passa, você vai passando com ele. Você é o próprio acontecimento, mesmo que não reconheça.
Não é o caso de decidir sobre perdas e ganhos. É ter certeza de que um sempre vem acompanhado do outro. É saber usar isso a seu favor.
O caso é que prefiro o otimismo pretensioso de acreditar que ainda tenho o dia de amanhã e os que se seguem, a ter que viver tudo o que me é permitido em apenas um dia. Não é essa a euforia que eu quero pra mim. A euforia vive na ansiedade e se isso for constante, prefiro matá-la de tédio.
O caso é ouvir e acreditar menos no que dizem, e ouvir mais o que se cala.
O caso é que fazer nada ou pouco é ainda assim, fazer alguma coisa.
Não me venda receitas de felicidade instantânea. Não me ensine a não perder tempo. Sempre ganha alguma coisa quem perde. Sempre perde alguma coisa quem ganha. E eu ganho a mim até mesmo ao perder.
Não caio mais nessa conversa fiada. Aliás, gosto mesmo é de perder algum tempo me ganhando. O tempo já é corrido. Adianto o relógio só se for pra curtir a sensação de ter mais tempo. Não me apresse. Não se apresse.
Sábado de manhã, chuva lá fora, frio do caramba – me deixa quietinha trocando um léro com o travesseiro e o cobertor. Festinha pegada e eu atirada no sofá assistindo a um filminho, me deixa sossegada com as legendas e figurinhas. Passeata a favor da paz e eu querendo apenas a paz da minha grama: Favor não pisar. Livro bom e eu com todo o tempo pra histórias.
Viver como se fosse a última vez tem cara de foto montada com risinho faceiro. Daqueles que logo se desfazem pela pressa de acontecer outra vez, ficando sempre pela metade.
Não quero a ânsia da última vez. Se me foi dada licença para viver, que seja ao meu modo. Escolho a tranquilidade do que se (re)inicia.
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15/10/09
Make
Trazia cores frias nos olhos delineados de preto. Morreu antes mesmo do batom, com o pó ainda em suas mãos.
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11/10/09
Gre-Nal fora das 4 linhas
- Colorado é bom até fora de campo – provoca o torcedor do Internacional.
- Quero só ver – retruca o do Tricolor.
- Verissimo, meu caro. Verissimo.
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10/10/09
O que é, o que é?
Não era paixão, nem amor. Apenas a vontade de que virasse uma coisa ou outra. Acabou em uma terceira chamada obsessão.
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07/10/09
Micro
Era um homem de retidão. Jamais se perdera nas curvas de uma mulher.
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30/09/09
NO AR - A 1ª vez é inesquecível
Olá, queridos!
Segunda-feira (28/09) fui entrevistada pelo estudante de jornalismo Luan Iglesias para o Programa do Aluno da Rádio Unisinos FM (103.3). Quem quiser conferir, irá ao ar hoje, das 20h às 21h, e discutirá o tema: “Profissão Escritor”. O divertidíssimo Fabrício Carpinejar (vencedor do Prêmio Jabuti na categoria "Contos e Crônicas") também estará participando.
Para ouvir online: http://www.unisinos.br/radio
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26/09/09
DIVISÃO DE BENS
E agora, quem ficará com a camisa autografada por Falcão? -
discute o casal colorado, às vésperas da separação.
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24/09/09
BRANCA DE NEVE
Sem qualquer vocação para Eva, mordeu a maçã e a coisa sequer esquentou. Mas que ficou preta, ficou.
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19/09/09
À VIDA
Vini,
Já faz um tempo que estou para escrever esta carta. Adiá-la só aumentou a necessidade de fazê-la existir. Também foi a maneira que achei de tentar me reencontrar em meio a esse turbilhão. A vida é mesmo cheia de grandes encontros. E logo agora, nos desencontramos. Definitivamente, esta carta precisava acontecer.
Espero que tenha perdoado minha falta de jeito quando nos conhecemos, você sabe que sempre me faltou jeito para um monte de coisas. Consigo lembrar nitidamente a primeira vez que nos vimos: você perguntou se podia sentar do meu lado, pediu uma caneta emprestada e seguiu mordendo a tampa daquela bic azul que ficou contigo o resto da aula de cálculo. Lembro que meio entediado, meio maroto, você abriu meu caderno e na última folha escreveu: “Eu não sei o que estou fazendo aqui. E você?”.
O tal caderno já nem existe mais, mas o bilhete eu guardei e continua comigo até hoje. Talvez tenha sido ele o grande motivador de eu estar te escrevendo agora. Na verdade, eu queria ter te falado muito antes. Eu deveria ter falado antes.
Até hoje não consigo compreender os motivos que o levaram a dar fim a própria vida. Quando encontraram o seu corpo, tive esperanças de não ser você ali. Não faz ideia de como eu rezei. Por Deus. Como rezei para não ser você naquele maldito chão frio.
Refaço essa cena na minha memória de uma maneira enlouquecedora. Eu não sei como você estava quando foi encontrado, eu não consegui ir até lá, eu não consegui! Guardo comigo as melhores lembranças, o Vinícius com vida. Ainda assim, esse pensamento me perturba frequentemente, tirando toda a paz que desejo pra mim.
Penso em qual instante você foi acometido pelo sentimento de arrependimento? Eu custo a acreditar que durante o ato você não tivesse sentido muito pela grande merda que estava fazendo. Se não tivesse se arrependido não seria você. Pode ser que seja fantasia e esse arrependimento sequer tenha passado pela sua cabeça, pode ser que eu tenha inventado tudo isso para perdoá-lo de ter ido embora assim. Como eu não notei que você já havia feito as malas? Por que não chamou meu nome pedindo ajuda? Logo você que tanto me ajudou.
Você deve ter prestado atenção demais na crueldade das pessoas esbanjadoras de sorrisos falsos que se diziam felizes a todo momento. Mas cruel mesmo é a morte, meu amigo. Não a vida. Cruel é a morte. A vida nunca foi fácil e a maioria das pessoas está cada vez mais se distanciando de si, como se todos estivessem perdendo o eixo. O mundo tá virado num caos. O mundo foi que perdeu o eixo. E como eu falava, as pessoas sustentam um quase-riso no rosto enquanto o resto do corpo se recolhe em choro. É tanta desonestidade que já não nos lembramos de ser sinceros com a gente mesmo. Porque eu sei que no fundo você queria viver, você queria continuar estando aqui. Faltou quem pudesse lembrá-lo das suas próprias verdades. Por onde eu estive nesse momento?
Falhei com você. E você falhou com tanta gente que até hoje te ama. Não estou aqui para julgá-lo afinal, mas queria que soubesse o quanto sinto. Sentir. Nenhuma definição melhor para aquela noite de verão que ficamos até tarde na praia observando o mar, deixando o vento soprar no nosso ouvido coisas indizíveis, enquanto acompanhávamos as ondas quebrando na areia. Eu senti que você foi feliz ali. Foi feliz. Mas se tornou tão imprevisível quanto o mar.
Se sentia falta de propósitos na vida, eu seria capaz de dar todos os motivos para você ainda estar aqui. Queria poder ter dito sobre essa felicidade urgente, ela sim mata todas as chances de aproveitar o que a vida nos propõe de bom. Ser feliz é não ter obrigação nenhuma de ser feliz. Não é frase de efeito - até porque a essa altura não faz mais nenhum sentido recorrer a algo do tipo. Estou falando no que acredito pra valer.
Ainda dói demais olhar suas fotos, dá uma saudade que parece não ter fim. Nem sei se quero que tenha, pois é um jeito de me reaproximar de você, de lembrar do que fomos. Ela te devolve um pouco a mim. Sinto não ter tido tempo de lembrá-lo do quanto você era especial e importante para toda essa gente que por aqui ainda chora.
Sua mãe não tem mais coragem de sair de casa. Seus irmãos, tão pequenos na época, até hoje sentem sua falta. A ausência, toda essa dor que você consentiu a eles. Eu queria perguntar: como pôde? Não quero brigar, mas preciso dizer que as coisas não continuam fáceis e ainda assim, me lembro da tua risada. Quando foi que você desaprendeu a sorrir?
Sinto uma saudade enorme do dia em que você pôs a tocar sua música preferida e repetiu cinco vezes seguidas (eu contei). De quando dividiu seus sonhos comigo e falou dos planos que tinha para dali alguns anos - você queria ser cineasta, lembra? Saudade daquela janta na casa do seu pai, que a galera caiu na piscina de roupa e tudo, das férias na Serra, daquela noite que ficamos estudando para a prova teórica pra tirar carteira de motorista. Você que me ensinou a não afogar o carro. Lembro que custei a aprender, mas graças a ti, consegui. Naquele dia, você não desistiu de mim.
Até hoje me faço a pergunta daquele bilhete escrito com bic azul na última folha do meu caderno: "Eu não sei o que estou fazendo aqui. E você?". Não tive tempo de responder. Mas se quer saber, eu também não sei direito o que estou fazendo aqui. Mas às favas com essa mania de tudo precisar ter um sentido na vida. Muita gente não sabe o que está fazendo ou para onde está indo e nem por isso deixa de continuar andando. Ainda assim posso sentir que estamos marchando rumo a algo bom.
Sinto sua falta, meu amigo. Amo você desde sempre e para sempre. E pode ficar tranquilo, que eu não desisti de ser feliz. Se você desistiu de você, tanto mais vontade sinto de viver por nós dois. Enquanto não for determinado que por aqui minha missão já foi cumprida, eu sigo. E vou até o fim, pode apostar.
Meu mais forte abraço, com saudades.
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